A regeneração controlada de tecidos, um pouco mais perto

Pesquisadores do Departamento de Genética do Instituto de Biomedicina da Universidade de Barcelona (IBUB) têm demonstrado o papel fundamental da proteína JNK durante a regeneração de tecidos em organismos adultos

Um verme do tipo malgaxes, de cerca de três centímetros de comprimento e de cor amarela. Foto fornecida pelo GEMM de A Coruña.

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O estudo, que foi publicado na revista “PLOS Genetics”, usou as planarias -um tipo de verme capaz de regenerar qualquer parte de seu corpo – como modelo de investigação.

Segundo informou a UB, o trabalho têm coordenado Emilio Salão e Teresa Adell, professores do Departamento de Genética da UB, e é parte da tese de doutorado de Maria Almuedo Castelo.

Também participaram especialistas do Instituto Max Planck de Biomedicina Molecular (Münster) e a Universidade de Münster (Alemanha).

Proteína JNK

As planarias são uns vermes planos de água doce ou marinha, que se tornaram um modelo-chave para o estudo da regeneração e as células-tronco, já que podem regenerar qualquer parte de seu corpo, inclusive a cabeça, em duas semanas.

Esta plasticidade é baseado na presença de uma população de células-tronco pluripotentes (neoblastos), capazes de se transformar em qualquer tipo de célula do organismo.

No entanto, até agora, os mecanismos que desencadeiam esta capacidade de regeneração ainda são bastante desconhecidos.

A equipe da UB centrou-se na função da proteína JNK, uma quinase bem conservada na escala evolutiva dos tecidos, porque até agora se sabia que a JNK estava envolvida no controle da proliferação e morte celular, mas se conhecia muito pouco sobre o seu papel na regeneração de tecidos e órgãos.

No novo estudo, os pesquisadores bloquearam as funções da proteína JNK interferindo o RNA para verificar as diferenças no organismo quando a JNK está ativada ou desativada.

Regeneração celular

A pesquisadora Teresa Adell explicou que “em qualquer organismo, após uma ferida ou amputação, é necessário que se marque a proliferação celular, para gerar novas células, e também a morte celular, para que os tecidos novos e os antigos fiquem perfeitamente integrados”.

“Nós -foi adicionado Adell – descobrimos que a JNK é essencial para controlar os dois processos ao mesmo tempo: a velocidade do ciclo celular das células-tronco, e também a ativação da morte celular”.

“O fato de que uma única proteína controle os dois mecanismos simultaneamente, acreditamos que é fundamental para que as duas respostas sejam coordenadas e a regeneração se desenvolva de forma controlada”, esclareceu Adell.

Worms malgaxes

Segundo os pesquisadores, a JNK é fundamental também na capacidade de as planarias de adaptar o seu tamanho em função da alimentação.

Estes worms tornam-se mais pequenos, na ausência de nutrientes e voltam ao tamanho original quando retornam a sua alimentação habitual.

O estudo mostrou que a JNK atua como um centro de operações para manter as proporções do corpo e remodelar o tamanho dos órgãos.

“Em resposta à perda de tecido, a JNK modula a expressão de genes, induz a eliminação das células desnecessárias e controla a divisão celular necessária das células-tronco”, sublinhou Maria Almuedo.

De acordo com a UB, esta capacidade de regular a morte celular e a divisão das células-tronco abre novos caminhos no campo da medicina regenerativa, que tem como grande desafio de gerar e manter in vitro de tecidos e órgãos que depois possam ser transplantados.

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