A Rainha destaca-se o impacto económico e social do câncer nas famílias

A Rainha Letizia, destacou a importância de uma “abordagem integral” e “multidisciplinar” no tratamento do câncer e tem apelado para o conjunto da sociedade para que tome consciência sobre o impacto desta doença nos âmbitos familiar, pessoal e profissional. O fato de o VII Fórum Contra o Câncer, presidido pela Rainha no Museu Reina Sofia

A presidente da Associação Espanhola Contra o Cancro Laura Ruiz de Galarreta (i), a ministra da Saúde Dolors Montserrat (2i), o presidente da Associação Espanhola Contra o Cancro e de sua Fundação Científica, Ignacio Muñoz Pidal (3i), e a Rainha Letizia (3d), o diretor do Museu Reina Sofia, Manuel Borja-Villel (2d), e Ricardo Martí Fluxá (d), presidente do Real Patronato do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia./Emilio Naranjo

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Cerca de 25.000 pessoas com câncer estão cada ano em risco de exclusão social a causa da doença, o que representa quase um terço (27,7 %) do total de diagnósticos da população activa em Portugal em 2017. São números que são extraídos do estudo que foi realizado para o Observatório do Câncer da Associação Espanhola contra o Câncer (AECC) sobre o impacto económico da doença em famílias de Portugal.

O estudo revela que a situação de exclusão social afeta as famílias que vêem reduzidas suas receitas por causa do aparecimento do cancro, bem como durante toda a doença, até níveis de extrema vulnerabilidade”.

Ao lado da Rainha Wagner, da ministra da Saúde Dolors Montserrat participou no fórum centrado nos problemas não visíveis dos pacientes e suas famílias.

Assim, ambas são entrelaçamento suas mãos junto a outros convidados, a pedido dos atores da companhia de teatro “A Roda”, em uma dramatização realizada a fim de simbolizar o apoio da sociedade que cada paciente e sua família precisam, após um diagnóstico, como é o caso do personagem Mari Luz, esposa de um doente, que nesta teatralización serve para transmitir ao público o espaço da solidão cotidiana dos afetados.

Ao encerrar o fórum, Letizia, presidente de honra da Associação Espanhola contra o Câncer (AECC), reconheceu ser refletida na desconforto que, como Mari Luz, às vezes sentem que estão perto de uma pessoa doente e nunca sabem quando é o melhor momento para chamá-la, ou se será conveniente para “ir ao cinema antes do próximo ciclo de quimioterapia” ou “deixá-la tranquila”.

Uma situação que ela mesma viveu depois que uma pessoa “que eu amo muito” fora diagnosticada há cinco semanas de “um câncer complicado”, segundo revelou, antes de insistir na importância de que os diferentes profissionais envolvidos no tratamento do câncer sobre a doença a partir de uma perspectiva multidisciplinar” nos domínios médico, clínico e hospitalar.

Antes da realização do fórum, a AECC deu a conhecer os resultados do estudo do Observatório de Câncer sobre “o impacto económico do câncer em famílias em Portugal”, do que resulta que cerca de 25.000 pessoas com câncer estão cada ano em risco de exclusão social por causa da doença.

Impacto econômico do câncer

A AECC lembre-se que o câncer é uma das patologias que requerem baixas de trabalho mais longas, e como exemplo, expõe que o tumor de mama é a segunda causa de incapacidade temporária de trabalho de mais de doze meses, apenas superada pela patologia lombar.

O estudo analisa três grupos: os independentes, os desempregados e os trabalhadores com baixos rendimentos.

Assim, indica que a cada ano cerca de 11.000 trabalhadores por conta própria são diagnosticados de câncer, de que mais de 80 %, o lula e a taxa mínima, têm uma prestação de cerca de 670 euros, a que haveria que subtrair a taxa mensal de 275 euros que têm que continuar pagando, com o pouco que lhes resta um líquido de 395 euros por mês.

A responsável pelo Trabalho Social da AECC, Raquel do Castelo, afirma que talvez o grupo dos independentes “é um dos mais desprotegidos”, porque em muitos casos os custos normais de seus negócios “não param e correm o risco de ter uma falência financeira”.

E é que com 395 euros têm que lidar também com os gastos diários e os gerados pela doença, que a AECC quantifica em cerca de 150 euros de média em um caso-tipo” de câncer de mama (perucas, cremes, transporte não urgente, entre outros), mas o número pode aumentar em até 300 euros em caso de câncer gástrico.

Por outra parte, a cada ano são diagnosticados de câncer para um total de 9.832 pessoas desempregadas, das quais mais da metade (5.232) não cobra nenhuma prestação pecuniária, o que significa que as famílias que possuem baixa renda ou nenhuma, se vêem obrigadas a decidir, por exemplo, entre pagar as contas ou comprar medicamentos, de acordo com a AECC.

Quanto aos pacientes com câncer que têm um salário mensal inferior a 710 euros por mês, ou seja, o salário mínimo interprofissional estabelecido em 2017, e os que são contabilizados a cada ano cerca de 3.700, vêem reduzido o seu salário em 25 %, que estão em claro risco de exclusão social”.

É o caso de Pilar Ruiz, um paciente de câncer de estômago, que tem que gastar 300 euros, dos 400 que cobra as despesas que trouxe a doença, de acordo com a AECC, que recolhe o testemunho.

“Eu tenho de ter uma vida estável a nível de saúde e de trabalho a uma instabilidade nos dois terrenos. Agora tenho uns gastos fixos de 300 euros derivados do controle das sequelas do câncer”, lamenta.

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