A psiquiatria personalizada, grande desafio contra as doenças mentais

Há quase 400 tipos de transtornos mentais. EFEsalud foi entrevistado o presidente da Sociedade Espanhola de Psiquiatria, Miguel Gutiérrez, para analisar estas patologias e conhecê-las melhor. A depressão e a ansiedade são as mais frequentes, e aumentaram com a crise

Segunda-feira 10.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

EFEsalud foi aprofundado com Miguel Gutiérrez, presidente da Sociedade Espanhola de Psiquiatria (SEP), nas doenças mentais. Os desafios passam por avançar para a psiquiatria personalizada e diminuir o estigma que esses pacientes têm na sociedade.

Apesar da crise, o doutor Gutiérrez afirma que a saúde mental dos espanhóis é “razoável”, mas coloca a depressão e a ansiedade, como se os dois distúrbios que prevalecem nas consultas de atenção primária.

O presidente da SEP assegura, com a evidência dos dados, que os suicídios não aumentou nos últimos anos e que a Espanha é o país com mais desemprego da Europa e o que menos suicídios contabilizado.

Outra questão importante, o presidente dos psiquiatras expressa sua preocupação com o papel que a reforma do aborto deposita nestes profissionais, sem ter consultado a respeito.

  • Doutor Gutiérrez, como avalia a saúde mental dos espanhóis?

Razoavelmente bem, a população espanhola está respondendo, em época de crise. É evidente que diante das dificuldades, a sociedade é capaz de gerar solidariedade e recursos que ajudam.

  • Como está influenciando a crise?

A crise envolve fatores econômicos, culturais, sociais… e afeta as pessoas. Um estudo dos doutores João Rocha (secretário da Fundação Espanhola de Psiquiatria e Saúde Mental) e Margalida Gili, da Universidade de ilhas Baleares, realizado em plena crise económica, evidencia o aumento nas consultas de atenção primária de transtornos de ansiedade e depressão. São os mais freqüentes, juntamente com os relacionados com o consumo de álcool.

  • Quais são as principais doenças mentais?

Há doenças mais comuns, a depressão e a ansiedade para a cabeça, que afetam uma parte importante da população. Depois temos doenças graves que não são raras e podem afetar a 1 por 1.000 na população, como os transtornos esquizofrénicos ou as demências, que produzem uma deterioração importante em quem as sofre.

  • Como aumentou o risco de suicídios?

A estatística do suicídio em Portugal não aumentou até 2012; em 2008, 2009, 2010, 2011, foi inferior aos anos de 2001, 2002 ou 2003, em plena bonança econômica. Houve um discreto aumento, até chegar a 7,2 por 100 000 habitantes, que são os números menores de toda a Europa.

Se vincula o desemprego, a conduta suicida, e tem sentido, mas em Portugal não se cumpre radicalmente; somos o país com mais desemprego, mas com menos suicídio. Há que ser prudentes e não alarme gratuitamente, porque os números duras e frias não dizem nada.

  • Como Se podem prevenir as doenças psiquiátricas?

Tudo se pode evitar, mas talvez seja mais difícil do que em outros domínios. A prevenção é complexa e difícil é avaliar os seus resultados. Em psiquiatria, é ainda mais complicado, já que afeta o biológico, genético, sociocultural…

  • Há diferenças entre homens e mulheres no que estes transtornos?

Sim, o património biológico e genético é diferente. Influencia cultural, hormonal, social, da evolução física… As mulheres são mais propensas a transtornos depressivos e, nos homens, há mais tendência a vícios, como álcool ou drogas. E há doenças que afetam os dois, mas com diferente evolução.

  • E a saúde mental dos nossos jovens?

A saúde mental dos jovens espanhóis é boa; não há números de prevalência alarmantes em relação ao resto da sociedade. A juventude tem mais recursos psicológicos e culturais do que no passado, além disso, é uma juventude internacionalizada, que foi projetado para fora.

  • Onde é que estão os tratamentos e a investigação?

Os computadores e grupos de pesquisa VIRTUAL de psiquiatria são valorizados como o segundo ou o terceiro de Portugal; estamos a cabeça de investigação médica em nosso país.

  • Como vê a sociedade para os doentes psiquiátricos?

O doente psiquiátrico, e também o psiquiatra, arrastam um estigma social. Ninguém aceita ter uma doença mental, se aceita muito melhor uma doença, por exemplo.

  • Existe relação entre obesidade e transtorno mental?

A saúde física do doente psiquiátrico é pior do que a da população em geral. Por quê? Estas doenças afetam desde muito cedo e isso faz com que os hábitos saudáveis deixam desestructurando; são pacientes desmotivados, josé das refeições, regressivos.

Por outro lado, os tratamentos com antipsicóticos podem gerar quadros metabólicos e problemas físicos que levam à obesidade. Sua expectativa de vida é de dez anos inferior ao resto da população que não sofre de patologias.

  • Quais são os desafios da psiquiatria?

Temos que diminuir o estigma dos pacientes na sociedade, que continua a existir.

Outro desafio é continuar com a integração da psiquiatria na medicina e continuar a progredir em conhecimentos científicos; a psiquiatria avançou porque conseguiu incluir elementos de outras disciplinas, como biologia, neuroquímica, radiologia, estatística, matemática, tudo o que usamos.

E o futuro? Temos que ser mais visíveis na sociedade para que se conheça melhor a psiquiatria e quebrar mitos.

Além disso, somos os primeiros interessados no desenvolvimento da medicina e da psiquiatria personalizada; este é um grande desafio, os estudos genéticos e socioambientais podem nos fornecer muitos dados, não só para prevenir, mas para tratar doenças e conhecê-las melhor. O conhecimento do funcionamento da mente não é fácil, mas é apaixonante.

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