A próxima revolução científica virá de Silicon Valley

Combater o envelhecimento e as doenças que provoca já não é um campo delimitado para a ciência. Nos últimos anos, empresas de Silicon Valley estão investindo grandes somas na pesquisa de medicamentos contra o cancro ou a doença de alzheimer. “Elas liderarán a próxima revolução científica”, diz à EFE Maria Blasco, diretora do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO), coautora do livro “Morrer jovem, aos 140”, que acaba de ser publicada

Maria Blasco

Quinta-feira 14.04.2016

Terça-feira 05.04.2016

Segunda-feira 06.07.2015

Pelo menos, assim acredita a pesquisadora Maria Blasco, diretora do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNIO) e, junto com a jornalista Mônica G. Salomone, coautora do livro “Morrer jovem, aos 140”, recentemente publicado por Paidós.

“Já está passando. Há três, quatro anos, muitas empresas de Silicon Valley (Califórnia, EUA), com mentalidade ativa, criativa, e a vontade de mudar o mundo, estão investindo quantidades muito importantes na tentativa de utilizar os avanços sobre as rotas moleculares do envelhecimento para obter novos medicamentos e tratamento de doenças ligadas à velhice”, explica a pesquisadora em uma entrevista com a Efe.

“, Há dois anos, o Google investiu em Calico, liderada por Cynthia Kenyon, que foi uma das pioneiras neste campo, enquanto Craig Venter, famoso por seqüenciar o genoma humano, antes que os cientistas do projeto do Governo norte-americano, criou uma empresa (Human Longevity) que tenta dar com as chaves do envelhecimento para obter estratégias ou terapias que sirvam para tratar as doenças decorrentes do envelhecimento”, relata.

E é que, segundo Mónica G. Salomone, “ocorreu uma mudança de paradigma”. “Até agora não se podia fazer nenhum ensaio clínico baseado no envelhecimento, pois não se considerava uma doença”, mas isso está mudando. “Estamos vendo uma mudança de tendência”.

Para Blasco, é importante entender que a doença é “resultado de um processo degenerativo que talvez se poderia evitar com drogas”, porque “a doença não começa quando se diagnosticado por um médico. É um processo que ocorre no organismo e que os cientistas queremos ser capazes de prevenir e detectar”.

O envelhecimento é o resultado da acumulação de dano em nossas células. “Normalmente, nós temos mecanismos para resolver este dano, mas quando deixam de funcionar, se geram disfunções nas células, estas não são capazes de regenerar os tecidos e os tecidos começam a funcionar mal, surgem as doenças e, eventualmente, a morte”.

No entanto, adverte Blasco, o envelhecimento “não está programado pela evolução. Não existem genes ‘Terminator’ que digam quando tem que começar a envelhecer uma pessoa”, mas genes para nos manter jovens, por isso queremos compreendê-lo, para atrasá-lo e porque é a origem das doenças”.

Desde a sua laboratório do CNIO, um dos mais importantes realizações de Blasco foi frear o crescimento do carcinoma de pulmão, graças a telomerase, uma enzima que mantém os telómeros jovens, que são as tampas de extremidades dos cromossomos que protegem a informação genética do organismo.

E é que, cada vez que uma célula do corpo é dividido, cópia do material genético (DNA) de cromossomas, mas em cada divisão celular, os telómeros encurtam até que chega um ponto em que eles são tão curtos que se tornam tóxicos para a célula, que deixa de ser replicado e é eliminada pelo organismo.

Esse dano celular se vai acumulando com o tempo (envelhecimento) e, no final, aparecem as doenças.

No entanto, as células cancerígenas, são diferentes: são capazes de se multiplicar sem que os seus telómeros se diminuam o número, ou seja, são imortais e por isso são graças a telomerase, uma enzima que repara constantemente os telómeros e que na maioria das células saudáveis, está ‘desligado’, enquanto que nas tumor está ativa.

Telómeros e telomerase são as ferramentas que utilizam os pesquisadores do CNIO para entender o envelhecimento e aplicá-lo a doenças específicas, como o infarto, a anemia plásica, fibrose pulmonar, doença de parkinson, ou o cancro.

Em qualquer caso, adverte, “os telómeros são uma das rotas utilizadas para combater o envelhecimento, mas “ainda há muito por descobrir”.

Enquanto isso, “podemos fazer muitas coisas para frear o envelhecimento: com hábitos saudáveis, suplementos alimentares, como o Ômega 3, que faz com que os telómeros mais longos, exercício, reduzindo o estresse…”

E é que, segundo Blasco, está comprovado que “até os 70 anos, o ambiente (modo de vida) é quase mais importante do que os genes para determinar se você chegar saudável ou não a essa idade. A partir daí, ser ou não do centenário depende se você tem ou não alguns genes fantásticos”, ironiza.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply