A pílula postcoital o sem receita médica?

Quando se completam três anos da pílula do dia seguinte sem receita médica e seu futuro é incerto, à espera de que o Ministério da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade tomada uma decisão sobre a continuidade ou não de livre dispensação de este contraceptivo de emergência

Duas embalagens de pílula postcoital. EFE/Kai Försterling

Quarta-feira 05.09.2018

Terça-feira 04.09.2018

Segunda-feira 27.08.2018

Em sua primeira audiência no Congresso, no início de fevereiro, a titular da Saúde, Ana Mato, já anunciou que havia solicitado um “relatório médico e científico” sobre as repercussões deste fármaco na saúde da mulheres, especialmente as menores.

Esse documento serviu de base para determinar se a pílula do dia seguinte deve voltar a sujeitar-se à prescrição médica.

Finalmente, os relatórios não foram só um, mas três (Sociedade Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia, Organização Médica Colegial e Agência Espanhola do Medicamento), mas, uma vez concluídos, a ministra considerou que não eram conclusivos nem coincidentes”.

Por isso, Mato fez o pedido de um novo relatório ao Conselho Consultivo de Saúde, que ainda não foi constituído formalmente, embora, de acordo com fontes do Ministério, poderá fazê-lo nos próximos dias.

Enquanto este relatório não esteja apurado, no Departamento que dirige Ana Mato recusaram fazer nenhum tipo de avaliação.

E são precisamente “evidências científicas” sobre a segurança para a saúde das mulheres que demonstram algumas sociedades médicas para reivindicar a continuidade da livre dispensação.

A presidente da Federação Portuguesa de Contracepção (FEC), Ester da Viúva, disse à Efe, que a dispensação sem receita a pílula “tem muitos mais benefícios do que riscos” e “tem uma segurança alta, documentada cientificamente”.

“E não é que a partir da FEC temos um interesse especial em que isso seja assim, mas que nós simplesmente nos fazemos eco das opiniões a nível internacional”, como a da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), que reúne as sociedades de ginecologistas de todo o mundo.

Esta entidade elaborou dois documentos, um em 2008 e outro em 2011, em que ratifica a segurança da anticoncepção de emergência.

A FEC não dispõe de dados atualizados sobre o uso da pílula, mas o ano passado, coincidindo com o segundo aniversário de sua livre dispensação, promoveu um estudo populacional, realizado pela Sigma Dois.

Este dado, de acordo com a ginecologista, sublinha que as espanholas fazem um uso bastante racional”, pelo que não se justificam “os medos” que existem para que é utilizado como método contraceptivo habitual.

Outra das preocupações de alguns setores é se a livre dispensação traz impliquem um aumento das condutas de risco, mas estudos científicos mostram que não é assim, de acordo com a Viúva.

Em praticamente todos os países europeus e nos Estados Unidos, a pílula pode ser adquirido sem receita médica desde anos antes do que em Portugal “e não se viu mais que existam problemas de saúde”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há nenhuma circunstância que alguma mulher não possa usar essa pílula ainda recomenda a utilização de contraceptivos de uso regular, que têm uma maior eficácia.

No caso de que o Ministério, finalmente, decida alterar a dispensação, a ginecologista recordou os problemas de acesso que existiam quando era necessária a receita médica.

A procura costuma aumentar os fins-de-semana e não todas as comunidades autónomas dispõem de serviços de saúde nesses dias.

“Temos a experiência de muitos casais que passaram todo o fim-de-semana de site em site procurando obter o medicamento e enquanto o tempo ia passando a sua eficácia ia diminuindo”.

“Isso seria ótimo”, disse a doutora, embora se levanta “se em uma situação de crise económica vale a pena gastar recursos em algo que não seria necessário”.

“Quando temos uma dor de cabeça que o habitual é que vamos tomar um paracetamol sem ir à consulta médica, apesar de que este fármaco pode gerar mais problemas para a nossa saúde e para o nosso fígado que a anticoncepção de emergência”, salientou.

A Viúva insistiu em que “não existem razões médicas ou científicas”, o que, talvez, o Ministério “está à procura de um relatório que apoie uma decisão que quer tomar, ou que já está tomada “por outros motivos”. EFE

td/jlg

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